Mundo Empresarial

O Mundo Empresarial e as Exigências para Empresas e Gerentes

A convivência com o mundo empresarial permite constatar que empresas e gerentes encontram-se em situações paradoxais. Abaixo falo com mais detalhes sobre isso.

As exigências para empresas e gerentes no mundo empresarial

 

Do lado das empresas, a partir das revoluções na informática e nas comunicações, da globalização e do acirramento da competição, da mudança de comportamento do cliente ou consumidor e da necessidade de inovação, seja como forma de conquistar vantagens competitivas ou simplesmente sobreviver, da necessidade constante de investimentos e da redução das margens, a exigência de resultados se torna um desafio cada vez maior.

 

Na perspectiva dos gerentes as exigências igualmente são múltiplas. Se formos identificar as competências exigidas para a função gerencial, isto é, para aquelas pessoas que tem a responsabilidade de gerar resultados através de outras pessoas – suas equipes -, estas irão muito além do conhecimento técnico. Visão de mercado, liderança de equipes, empreendedorismo, foco em resultados e autogestão são algumas das exigências. E esses gerentes têm encontrado dificuldade para responder aos novos desafios.

 

Do ponto de vista das empresas, o crescimento inexoravelmente representa seu grande desafio e talvez não seja uma escolha interna. A empresa percebe que as oportunidades não só se multiplicam como, principalmente, se alteram. Com isso, a própria sobrevivência ficará ameaçada se ela não tiver condições de ofertar os novos (melhores e mais competitivos) produtos e serviços demandados por seus clientes. Muitas empresas, no entanto, colocam o crescimento ou outro propósito como motor do seu desenvolvimento, optando pela escolha do seu próprio destino ao invés de reagir após serem desafiadas.

 

Um olhar mais aprofundado sobre o modo de agir dos gerentes

 

Os próprios líderes empresariais têm suas ambições e tratarão de projetar seu negócio em direção ao futuro. Tudo isso implicará em necessária evolução dos gerentes. E quanto aos gerentes? Temos observado com muita atenção seu comportamento nas empresas quando implantamos projetos de consultoria. Encontramos pessoas motivadas e desmotivadas. Comprometidas e não comprometidas. Preparadas e não preparadas. São aspectos muitas vezes relacionados às questões pessoais. Auto-estima e grau de ambição. Modelo de educação familiar, que influi e até define a visão de mundo dessas pessoas. Clareza ou não de um projeto de vida, dentre outros, todos fatores que determinam seu modo de agir profissionalmente.

 

Muitos desses gerentes estão angustiados e desesperançados em relação ao seu futuro profissional. Sentem-se incapazes de resolver problemas, de planejar suas ações, de inovar e de atingir os resultados que lhes é exigido. Quando os chefes se tornam exigentes, cobrando muito e facilitando pouco sua ação, sentem-se perdidos, faltando-lhes até mesmo a iniciativa necessária para fazer as coisas acontecerem. Observamos que, em muitos casos, o chefe acaba esquecendo o que cobrou e as coisas ficam acomodadas. Porém, nem a empresa atinge os resultados nem o gerente tem perspectiva de crescimento profissional. Infelizmente este é um círculo vicioso difícil de ser rompido, pois implica em mudança de postura de ambos os lados, ou ao menos de um deles para começar.

 

É claro que os acionistas é que tem a responsabilidade maior pela mudança desse quadro. Eles é que perdem o valor do seu capital, mas não são os únicos interessados nos resultados. Os gerentes têm seus interesses atingidos. Nessa situação não crescerão profissionalmente, não melhorarão sua remuneração e colocarão em risco a própria empregabilidade.

 

A importância da educação continuada na trajetória profissional

 

Considerando a mudança de paradigma ocorrida na década de 90, a partir de quando as empresas deixaram de se responsabilizar pela carreira de seus funcionários, passando a ser destes a necessária iniciativa pelo próprio desenvolvimento, nos parece que a mudança do quadro passa por duas questões-chave: de um lado é necessário que esses gerentes tenham o insight, isto é, que caia a ficha de que são os responsáveis pela própria carreira e para isso tem que haver um certo grau de ambição e de que a educação é a chave para a sua alavancagem.

 

Não bastará, porém, a formação superior, que cada vez mais se posiciona como formação básica. Será preciso buscar também conhecimentos específicos. Uma pessoa da área financeira terá que ser um expert em finanças. Quem for responsável por logística precisará dominar os conhecimentos da área, especialmente num mundo de redes e que exige sincronismo de ações para evitar desperdícios e reduzir custos. Mesmo para liderar um projeto, uma série de ferramentas precisará ser utilizada de forma integrada. Identificar prioridades, analisar sua viabilidade, saber implantá-lo considerando todas as variáveis envolvidas, como pessoas, recursos (inclusive informática), riscos, comunicação, administração dos conflitos inerentes, são competências fundamentais para obter os melhores resultados.

 

No post Educação Continuada: mais que uma tendência, uma necessidade, falamos mais sobre este assunto.

 

Em outros casos os conhecimentos exigidos serão mais amplos, considerando o negócio como um todo e dominando suas principais funções (estratégica, marketing, recursos humanos, operações, etc.). Como pretender ascensão profissional sem o preparo adequado? Como competir no mercado de trabalho, se existirem desvantagens na formação? E como viabilizar a formação se ela representa investimento, muitas vezes além das possibilidades financeiras pessoais. São decisões muito importantes, com influência definitiva na vida profissional, podendo alterar significativamente a perspectiva de carreira. Além do sacrifício financeiro, será necessário prescindir de alternativas de vida no curto prazo como, por exemplo, abrir mão de parte da convivência familiar. Mas também é estratégico fazer este tipo de escolha. Significa plantio que poderá render frutos em médio prazo, não somente recuperando o investimento financeiro, mas impulsionando o executivo para novos horizontes no mundo dos negócios.

 

A importância de escolher o programa de capacitação certo para você

 

Portanto, a ascensão profissional está diretamente ligada à continuidade da formação, à busca de especialização, MBAs e outros programas de capacitação gerencial. A escolha do programa mais adequado é outra decisão importante. A carreira executiva é cada vez mais nômade, as oportunidades não raro implicam em mudança de cidade, estado ou país. Os executivos que pretendem fazer carreira local poderão optar por programas reconhecidos regionalmente. Já aqueles abertos às oportunidades mais distantes, provavelmente deverão considerar programas de reconhecimento nacional ou internacional. Isto está cada vez mais viável, pois em muitos casos já não é mais necessário buscar fora a formação. As mais destacadas escolas de negócio, nacionais e internacionais, têm se aproximado dos principais centros econômicos regionais, possibilitando o acesso aos melhores programas próximo de casa.

 

Há que levar em conta que os programas considerados top estão numa faixa de valor em média de vinte a 30% acima dos demais. Isto se justifica pela excelência dos programas, bagagem dos professores e reconhecimento da instituição promotora, entre outros aspectos. Considerando que as empresas demandam e escolhem os profissionais melhor preparados, sabedoras que da qualidade destes dependerá seu desempenho, o investimento em formação e pós-formação representa a abertura de perspectivas profissionais que não podem ser desconsideradas.

 

É grande o número de executivos que já chegaram a esta conclusão e decidiram investir em educação. Muitos outros estão seguindo o mesmo caminho. O reflexo está e se dará no desempenho das empresas e na carreira dos executivos, projetado em melhores resultados.

 

Volnei Pereira Garcia

Consultor de empresas, professor associado à Fundação Dom Cabral e diretor da Cedem Consultoria e Educação Empresarial.

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